sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Leia o post "JUNTEI OS CONTOS..." - PARTE 2 - ELA

PARTE 2

Ela pensa muito sobre as coisas que lhe acontecem, alguém disse que esse era seu maior defeito: pensar muito, agir pouco. Gosta de andar por terrenos seguros, não suporta o desconhecido. Não admite, mas morre de medo de tudo o que não pode controlar, não sabe sair sem compromisso, precisa sempre de um plano, leva essa mania de planos para a vida amorosa, mesmo sabendo que é impossível ter tudo sob controle quando se trata de coração. Mesmo assim, não para de pensar e bolar todos os planos possíveis para tirá-lo da cabeça, pouco provável que consiga, mas ainda não se deu por vencida , ela está confiante que conseguirá, vai superar essa “paixonite”, como ela apelidou o que sente. E continua a perder tempo pensando.

Depois de muito, ela se sabota, e o observa, sabe que esse momento tem tudo para acabar mais rápido do que um suspiro, então ela examina seu rosto: seu queixo, seus lábios, o movimento de seus olhos, como se cada parte de seu rosto fosse uma peça autônoma, ou uma peça de um quebra-cabeça, uma parte separada de um todo, ela quer gravar ele na memória, por um instante é feliz, depois se cansa, algo lhe grita que não vale a pena se apegar a ele, ele talvez nem sinta o mesmo que ela, “provavelmente não, acho que é apenas um jogo, e eu estou perdendo” pensa. Assumir o risco de se apaixonar é um preço muito alto para algo que ela diz ser apenas um passatempo, tenta se convencer disso.

E nessa toada de auto ilusão, ela busca refugio em outro, pensa que assim vai esquecer ele, mas o outro não é e não tem o que ela precisa, em uma atitude tola ela busca ele no outro, os olhos, os lábios, o queixo, não, ela não encontra ele no outro, é tão obvio para ela como para o outro, porque ela não pensa no outro, nem no que este sente, quer livrar o pensamento, quer tirar ele da mente, do coração, da boca, das mãos...e o sorriso não lhe deixa em paz. Ele continua a sorrir em seus sonhos e o outro? O outro não tem o sorriso que ele tem, por isso ela parte para longe do outro.

Volta por impulso os pensamentos para ele, ele continua lá, ele e seu sorriso. Ela o procura com os olhos, segura seus impulsos de tocá-lo, então o tateia com o olhar, ele continua a sorrir, seus lábios são aqueles que ela conhece tão bem, sua voz, seu olhar, “me deixa em paz!” ela grita para ele, e corre, corre para bem longe, onde ele não lhe chegue aos pensamentos, para onde os pensamentos nele não a alcancem.

Ficar longe, ela acredita que esse pode ser o segredo para que ele lhe saia dos pensamentos, “cortar o mal pela raiz”, mas ela sofre mais ainda, seu coração está aos prantos, sonha que ele divide a cama com ela, mas ela acorda sempre sozinha, se entristece como nunca antes , ela sabe que precisa dele, mas terá coragem de dizer-lhe tudo o que sente? Dessa vez não sabe, é a primeira vez que se sente tão perdida, tão fora de seu próprio controle, pensamentos a atordoam, ela que sempre foi tão senhora de si, sempre tão forte, agora se vê nessa tormenta, seus olhos procuram os dele, mas ela se colocou tão distante dele e ele parece já ter esquecido ela a muito tempo.

Ele...e onde estaria ele? Ela não sabe, e a culpa é toda dela, ela sabe disso.

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Conto Ela by Verônica Rodriguez Marques is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
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