quinta-feira, 31 de maio de 2007

Nel mezzo del camim...

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

Olavo Bilac





segunda-feira, 14 de maio de 2007

Rosa Luxemburgo

Nascida em 05 de março de 1871, assassinada em .15 de janeiro de 1919

Polonesa de origem judaica, participou da fundação do grupo de tendência marxista, que depois se tornaria o Partido Comunista da Alemanha.

Aos 13 anos entrou na escola secundária para mulheres em Varsóvia, onde concluiu os seus estudos e iniciou sua militância política no Partido Revolucionário Proletário.

Rosa participou da fundação do Partido Socialista Polonês (PSP) em 1892. Dois anos depois, rompeu com o PSP e em conjunto com Leo Jogiches e Julian Marchlewski fundou a Social-democracia do Reino da Polónia e criou a revista "Sprawa Robotnicza" ("A Causa Operária"), como reação ao nacionalismo do Partido Socialista Polonês. No ano de 1918, a Liga decide fundar o Partido Comunista da Alemanha. A 15 de Janeiro de 1919, Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Wilhel Pieck - dirigentes do Partido Comunista da Alemanha - foram presos e levados para interrogatório no Adlon Hotel em Berlim. Pieck consegue fugir, mas Roase e Liebknecht recebem coronhadas na cabeça e são colocados em um carro. Durante o trajeto, ambos foram baleados na cabeça e o corpo de Rosa atirado no Canal Landwehr.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Assentamento

Chico Buarque/1997
Para o livro Terra


Quando eu morrer, que me enterrem na
beira do chapadão
-- contente com minha terra
cansado de tanta guerra
crescido de coração
Tôo

(apud Guimarães Rosa)

Zanza daqui
Zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim
Vamos embora

Ver o capim
Ver o baobá
Vamos ver a campina quando flora
A piracema, rios contravim
Binho, Bel, Bia, Quim
Vamos embora

Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:
Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora