terça-feira, 27 de novembro de 2007

Vestibular...

Tive que dar um tempão nas postagens para poder estudar para a fuvest...mas agora...bom agora piorou porque ainda tem unesp e ufscar...ou seja...nada de parar de estudar!!! E também por causa da segundona da fuvest, né??? Porque eu vou estar lá fazendo ela e tals...me desejem sorte!!!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Agora Falando Sério

Chico Buarque
Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita que o mal espanta
Dou um chute no lirismo, um pega no cachorro e um tiro
no sabiá
Dou um fora no violino, faço a mala e corro pra não
ver banda passar

Agora falando sério Eu queria não mentir
Não queria enganar, driblar, iludir tanto desencanto
E você que está me ouvindo Quer saber o que está
havendo com as flores do meu quintal?
O amor-perfeito, traindo, a sempre-viva, morrendo, e a
rosa, cheirando mal

Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse o sono difícil, como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico e o síndico do meu prédio
pedindo para eu cantar

Agora falando sério
Eu queria não cantar, falando sério
Agora falando sério
Preferia não falar, falando sério

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Esperanduquê

Gabriel O Pensador
Eu nada posso esperar de uma raça que só tem filha da
puta.
Se espalha por todo o lugar, mas tem mais em brasília.
(escuta!)
No Brasil já teve guerrilha com armas, com tudo, mas
hoje só temos um bando de cego, surdo, burro e mudo.
Ninguém faz nada nem os governantes nem a massa
dominada.
O povo é ignorante e o governo é uma piada.
E se você não é o ignorante: muito bem.
Então pelo amor de Deus venha se expressar também.
A voz do povo é a voz de Deus, quem disse isso não foi
eu, mas eu acho que quem escreveu essa frase era ateu.
Porque esse povo tá sem voz, o povo tá calado.
Tá parado esperando Deus, batendo palma pro diabo.
E enquanto o diabo rato porco vai se perpetuando
O povo fica parado debaixo
De quatro
Bobo olhando
Bobo olhando
Se matando sem dinheiro
Esperando deitado de bruços
Esse é o povo brasileiro
Bobo olhando
Bobo escutando
Bobo escutando
É você
Bobo esperando
Bobo esperando...
Esperando...
Esperanduquê?

terça-feira, 11 de setembro de 2007

sábado, 8 de setembro de 2007

"...E então ele me disse:

- Como desejar que todos os dias sejam como manhãs quentes de verão? Se toda a força que a vida precisa está também nos dias de chuva?

Eu quis retrucar, provar com todos os meus argumentos que ele estava errado, eu sabia que ele não estava errado, mas não podia ser! Justo os dias de chuva...Então ele me interrompeu, queria entender por quais motivos eu não gostava desses dias chuvosos, tentei explicar que os motivos não eram importantes, mas por fim acabei cedendo-lhe:

- Eles me deixam tão tristes, como se o céu chorasse e me obrigasse a sentir sua dor!

- Não, querida, o céu chora por vê-la chorar a sua própria dor. Se não quer sentir assim mais, levante os olhos para o céu em um dia de chuva e perceba que apesar das nuvens, o sol está lá atrás, olhando tudo com seu sorriso gentil, com a promessa de que voltará em breve, logo depois da chuva.

Ainda choro em dias de chuva, porque ele partiu em uma triste manhã cinzenta, enquato caia uma fina garoa fria.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Manuel Bandeira

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Concretizar

Estranho como é preciso ver para crer.

Hoje comprovei a veracidade deste "provérbio"...dito popular...sei lá, estranho porque é como se você não ver não aconteceu , seguindo linha "o que os olhos não vêem o coração não sente", as coisas parecem não ser reais.

Sensação esquisita, espero que passe logo, ou que passe quando for o momento.

Não esquecemos das pessoas que amamos, apenas seguimos com nossos dias e deixamo-nas descansar, depois dessa grande batalha chamada vida.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Ventos do Mar de Vigo

Houve um tempo, onde duas pessoas andavam na mesma direção, com seus ventos soprando sempre sincronizados e essas duas pessoas podiam, assim, seguir em frente juntas.

Mas então, veio a tempestade e cada vento soprou para um lado, colocando os dois amantes a caminharem em direções opostas e estes se afastaram mais e mais, se afastaram tanto que se esqueceram um do outro.

Hoje, os ventos se reencontraram, os amantes caminham lado a lado, mas já não se lembram que eram companheiros de vida, mal olham para o lado e quando o fazem não se reconhecem, são estranhos.


Verônica S. Rodriguez

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Coração de Vidro

Ele parece tão frágil
A de segurar com as duas mãos
Para não deixar haver hipótese
De cair e se desfazer em micro pedaços

Micro pedaços são tão difíceis de colar de volta
Todos em seus respectivos lugares
E quando caem, vão para longe do nosso alcance
Mas é preciso recolher todos e cola-los juntos

Não pode faltar nem sobrar cola
A quantidade faz toda a diferença
Muita, não há como ficar delicado
e as pontas podem machucar
Pouca, fica muito delicado
e qualquer esbarro pode quebrar de novo


Autor: eu mesma

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Al Otro Lado Del Río

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río

El día le irá pudiendo
poco a poco al frío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río

Sobre todo creo que
no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama
casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a

En esta orilla del mundo
lo que no es presa es baldío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río

Yo muy serio voy remando
muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz
al otro lado del río

Sobre todo creo que
no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima
y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama
casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
creo que he visto una luz
al otro lado del río

Jorge Drexler

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Conto "Famigerado"

Foi de incerta feita — o evento. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa, o arraial sendo de todo tranqüilo. Parou-me à porta o tropel. Cheguei à janela.

Um grupo de cavaleiros. Isto é, vendo melhor: um cavaleiro rente, frente à minha porta, equiparado, exato; e, embolados, de banda, três homens a cavalo. Tudo, num relance, insolitíssimo. Tomei-me nos nervos. O cavaleiro esse — o oh-homem-oh — com cara de nenhum amigo. Sei o que é influência de fisionomia. Saíra e viera, aquele homem, para morrer em guerra. Saudou-me seco, curto pesadamente. Seu cavalo era alto, um alazão; bem arreado, ferrado, suado. E concebi grande dúvida.

Nenhum se apeava. Os outros, tristes três, mal me haviam olhado, nem olhassem para nada. Semelhavam a gente receosa, tropa desbaratada, sopitados, constrangidos coagidos, sim. Isso por isso, que o cavaleiro solerte tinha o ar de regê-los: a meio-gesto, desprezivo, intimara-os de pegarem o lugar onde agora se encostavam. Dado que a frente da minha casa reentrava, metros, da linha da rua, e dos dois lados avançava a cerca, formava-se ali um encantoável, espécie de resguardo. Valendo-se do que, o homem obrigara os outros ao ponto donde seriam menos vistos, enquanto barrava-lhes qualquer fuga; sem contar que, unidos assim, os cavalos se apertando, não dispunham de rápida mobilidade. Tudo enxergara, tomando ganho da topografia. Os três seriam seus prisioneiros, não seus sequazes. Aquele homem, para proceder da forma, só podia ser um brabo sertanejo, jagunço até na escuma do bofe. Senti que não me ficava útil dar cara amena, mostras de temeroso. Eu não tinha arma ao alcance. Tivesse, também, não adiantava. Com um pingo no i, ele me dissolvia. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. O medo O. O medo me miava. Convidei-o a desmontar, a entrar.

Disse de não, conquanto os costumes. Conservava-se de chapéu. Via-se que passara a descansar na sela — decerto relaxava o corpo para dar-se mais à ingente tarefa de pensar. Perguntei: respondeu-me que não estava doente, nem vindo à receita ou consulta. Sua voz se espaçava, querendo-se calma; a fala de gente de mais longe, talvez são-franciscano. Sei desse tipo de valentão que nada alardeia, sem farroma. Mas avessado, estranhão, perverso brusco, podendo desfechar com algo, de repente, por um és-não-és. Muito de macio, mentalmente, comecei a me organizar. Ele falou:

"Eu vim preguntar a vosmecê uma opinião sua explicada..."

Carregara a celha. Causava outra inquietude, sua farrusca, a catadura de canibal. Desfranziu-se, porém, quase que sorriu. Daí, desceu do cavalo; maneiro, imprevisto. Se por se cumprir do maior valor de melhores modos; por esperteza? Reteve no pulso a ponta do cabresto, o alazão era para paz. O chapéu sempre na cabeça. Um alarve. Mais os ínvios olhos. E ele era para muito. Seria de ver-se: estava em armas — e de armas alimpadas. Dava para se sentir o peso da de fogo, no cinturão, que usado baixo, para ela estar-se já ao nível justo, ademão, tanto que ele se persistia de braço direito pendido, pronto meneável. Sendo a sela, de notar-se, uma jereba papuda urucuiana, pouco de se achar, na região, pelo menos de tão boa feitura. Tudo de gente brava. Aquele propunha sangue, em suas tenções. Pequeno, mas duro, grossudo, todo em tronco de árvore. Sua máxima violência podia ser para cada momento. Tivesse aceitado de entrar e um café, calmava-me. Assim, porém, banda de fora, sem a-graças de hóspede nem surdez de paredes, tinha para um se inquietar, sem medida e sem certeza.

— "Vosmecê é que não me conhece. Damázio, dos Siqueiras... Estou vindo da Serra..."

Sobressalto. Damázio, quem dele não ouvira? O feroz de estórias de léguas, com dezenas de carregadas mortes, homem perigosíssimo. Constando também, se verdade, que de para uns anos ele se serenara — evitava o de evitar. Fie-se, porém, quem, em tais tréguas de pantera? Ali, antenasal, de mim a palmo! Continuava:

— "Saiba vosmecê que, na Serra, por o ultimamente, se compareceu um moço do Governo, rapaz meio estrondoso... Saiba que estou com ele à revelia... Cá eu não quero questão com o Governo, não estou em saúde nem idade... O rapaz, muitos acham que ele é de seu tanto esmiolado..."

Com arranco, calou-se. Como arrependido de ter começado assim, de evidente. Contra que aí estava com o fígado em más margens; pensava, pensava. Cabismeditado. Do que, se resolveu. Levantou as feições. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes. Encarar, não me encarava, só se fito à meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu monologar.

O que frouxo falava: de outras, diversas pessoas e coisas, da Serra, do São Ão, travados assuntos, inseqüentes, como dificultação. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender-lhe as mínimas entonações, seguir seus propósitos e silêncios. Assim no fechar-se com o jogo, sonso, no me iludir, ele enigmava: E, pá:

— "Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado... faz-megerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...?

Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soara com riso seco. Mas, o gesto, que se seguiu, imperava-se de toda a rudez primitiva, de sua presença dilatada. Detinha minha resposta, não queria que eu a desse de imediato. E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito, pois, que aqui ele se famanasse, vindo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?

— "Saiba vosmecê que saí ind'hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro..."

Se sério, se era. Transiu-se-me.

— "Lá, e por estes meios de caminho, tem nenhum ninguém ciente, nem têm o legítimo — o livro que aprende as palavras... É gente pra informação torta, por se fingirem de menos ignorâncias... Só se o padre, no São Ão, capaz, mas com padres não me dou: eles logo engambelam... A bem. Agora, se me faz mercê, vosmecê me fale, no pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o que já lhe perguntei?"

Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Esses trizes:

Famigerado?

— "Sim senhor..." — e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo — apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. — Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:

— "Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho..."

Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.

Famigerado é inóxio, é "célebre", "notório", "notável"...

— "Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?"

— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos...

— "Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?"

Famigerado? Bem. É: "importante", que merece louvor, respeito...

— "Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?"

Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:

— Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado — bem famigerado, o mais que pudesse!...

— "Ah, bem!..." — soltou, exultante.

Saltando na sela, ele se levantou de molas. Subiu em si, desagravava-se, num desafogaréu. Sorriu-se, outro. Satisfez aqueles três: — "Vocês podem ir, compadres. Vocês escutaram bem a boa descrição..." — e eles prestes se partiram. Só aí se chegou, beirando-me a janela, aceitava um copo d'água. Disse: — "Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!" Seja que de novo, por um mero, se torvava? Disse: — "Sei lá, às vezes o melhor mesmo, pra esse moço do Governo, era ir-se embora, sei não..." Mas mais sorriu, apagara-se-lhe a inquietação. Disse: — "A gente tem cada cisma de dúvida boba, dessas desconfianças... Só pra azedar a mandioca..." Agradeceu, quis me apertar a mão. Outra vez, aceitaria de entrar em minha casa. Oh, pois. Esporou, foi-se, o alazão, não pensava no que o trouxera, tese para alto rir, e mais, o famoso assunto.


Guimarães Rosa
Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 13.


OBS.: ADORO ESSE CONTO

terça-feira, 24 de julho de 2007

Momento de Histeria

Nem sempre somos "mais do mesmo"... um escape do cotidiano ... dê risada e não me atormente com suas perguntas incoerentes! Não é para ter sentido mesmo ... Hahaha ...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me mostraste o mar – com que navio?
E me deixaste só – com que saída?

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio?

Chico Buarque de Hollanda

sábado, 30 de junho de 2007

Tocando em Frente

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada
sei..

Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumpri a vida seja simplesmente
compreender a marcha ir tocando em frente
como um velho boiadeiro
levando a boiada eu vou tocando os dias
pela longa estrada eu vou, estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega no outro vai embora
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz
e ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
levo esse sorriso porque já chorei demais
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz
de ser feliz


Almir Sater e Renato Teixeira

sábado, 23 de junho de 2007

Sobradinho

O homem chega e já desfaz a natureza

Tira a gente põe represa, diz que tudo vai mudar

O São Francisco lá prá cima da Bahia

Diz que dia menos dia vai subir bem devagar

E passo a passo vai cumprindo a profecia

Do beato que dizia que o sertão ia alagar

O sertão vai virar mar

Dá no coração

O medo que algum dia

O mar também vire sertão

Vai virar mar

Dá no coração

O medo que algum dia

O mar também vire sertão

Adeus Remanso, Casa Nova, Sento-sé

Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir

Debaixo d'água lá se vai a vida inteira

Por cima da cachoeira o Gaiola vai sumir

Vai ter barragem no salto do Sobradinho

E o povo vai se embora com medo de se afogar

O sertão vai virar mar

Dá no coração

O medo que algum dia

O mar também vire sertão

Vai virar mar

Dá no coração

O medo que algum dia

O mar também vire sertão

Sa e Guarabyra

terça-feira, 19 de junho de 2007

Dói

Passam as horas

Quem dera passassem mais velozes

Como os segundos

Que sentimos cada um

Mas doem menos


Os segundos doem menos

Menos que as horas

Menos que os dias


Porém,

Os segundos também doem

Doem nos ossos

Doem nas veias


Dói-me o corpo

Dói-me a mente

Cada momento perdido

Dói-me uma parte


E a dor,

Por hora, infinita

Amanhã, talvez nula.


Autora: Verônica S. R. Marques

domingo, 17 de junho de 2007

Confissões de Um Arrependimento

Se tivesse me dito antes...

Se tivesse me ouvido antes...

Se tivesse me conhecido antes...

Se tivesse me visto antes...


Quantas coisas diferentes

Teríamos feito...

Teríamos dito...

Teríamos visto...


Ah...mais não foi assim

Você se foi e mais nada

Você se foi e não restou nada


Não restaram sorrisos

Não restaram abraços

Restaram lágrimas...muitas



Autora: Verônica S. R. Marques

Moacir

Já te disse! Deixe-me em paz!

Não, não, não, não e não!

A decisão não foi minha

E por isso, choro o quanto quiser!


Deixe-me ficar aqui

Quero ficar aqui sozinha!

Sozinha! Isso mesmo, sozinha

E ponto final.


No escuro, sozinha no escuro

E não tenho mais medo do escuro

Tenho medo da solidão!


O meu verso é filho da dor

O poema é filho da dor

O soneto é Moacir, filho da dor!



Autora: Verônica S. R. Marques

quinta-feira, 14 de junho de 2007

domingo, 3 de junho de 2007

Canção Amiga

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção

que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

Carlos Drummond de Andrade

Profundamente


Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes

Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

*


Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Manuel Bandeira

José


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio
e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade

Ismália


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...


E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Alphonsus de Guimaraens

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Nel mezzo del camim...

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

Olavo Bilac





segunda-feira, 14 de maio de 2007

Rosa Luxemburgo

Nascida em 05 de março de 1871, assassinada em .15 de janeiro de 1919

Polonesa de origem judaica, participou da fundação do grupo de tendência marxista, que depois se tornaria o Partido Comunista da Alemanha.

Aos 13 anos entrou na escola secundária para mulheres em Varsóvia, onde concluiu os seus estudos e iniciou sua militância política no Partido Revolucionário Proletário.

Rosa participou da fundação do Partido Socialista Polonês (PSP) em 1892. Dois anos depois, rompeu com o PSP e em conjunto com Leo Jogiches e Julian Marchlewski fundou a Social-democracia do Reino da Polónia e criou a revista "Sprawa Robotnicza" ("A Causa Operária"), como reação ao nacionalismo do Partido Socialista Polonês. No ano de 1918, a Liga decide fundar o Partido Comunista da Alemanha. A 15 de Janeiro de 1919, Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Wilhel Pieck - dirigentes do Partido Comunista da Alemanha - foram presos e levados para interrogatório no Adlon Hotel em Berlim. Pieck consegue fugir, mas Roase e Liebknecht recebem coronhadas na cabeça e são colocados em um carro. Durante o trajeto, ambos foram baleados na cabeça e o corpo de Rosa atirado no Canal Landwehr.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Assentamento

Chico Buarque/1997
Para o livro Terra


Quando eu morrer, que me enterrem na
beira do chapadão
-- contente com minha terra
cansado de tanta guerra
crescido de coração
Tôo

(apud Guimarães Rosa)

Zanza daqui
Zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim
Vamos embora

Ver o capim
Ver o baobá
Vamos ver a campina quando flora
A piracema, rios contravim
Binho, Bel, Bia, Quim
Vamos embora

Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:
Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Epitáfio


Epitáfio de Rosa Luxemburgo

Aqui jaz

Rosa Luxemburg

Judia da Polônia

Vanguarda dos operários alemães

Morta por ordem

Dos opressores. Oprimidos

Enterrai vossas desavenças!

"Bertolt Brecht"

terça-feira, 24 de abril de 2007

domingo, 22 de abril de 2007

Ah...



São Paulo ainda permite momentos como esse, onde podemos dar um tempo na correria da vida por alguns instantes, levantar nossas cabeças e olhar por entre os prédios: um belo por do sol!

É belo! Nossa cidade se mostra aberta para aceitar também as coisas belas da vida!

Não, a vida não é bela, nem chega proxima da beleza, mas olhe para o céu, as nuvens se dissipam, vem aí uma bela noite, o homem, que luta, agora pode descansar!

Veja! Não é lindo?

Coisas que aprendi

Aprendi que quem manda, não é aquele que fala mais alto,
E sim aquele que tem mais $$$.
Aprendi que quem fica parado é estátua,
Mas quem se mexe muito fica louco.
Aprendi que mesmo observando o erro dos outros, não aprendemos,
Mas aprendemos muito mais quando é na nossa pele.
Aprendi também que, por mais que você se esforce,
Às vezes não é o suficiente.

Aprendi que a melhor maneira de amar, não é amando,
Mas é deixando ir, porque se for seu, vai voltar.
Aprendi que você pode ser um bom amigo,
Mas não está pronto para ser amante.
Aprendi que o amor é um bicho selvagem e frágil,
Mas que se não for domado, estraga.

Aprendi também,
Que às vezes é preciso ficar calado, para não piorar as coisas,
E aprendi que existem situações em que é preciso GRITAR ... AAAHHHHH...!!!